quarta-feira, 21 de maio de 2014

Eu nunca soube quem sou. Não entendia as minhas próprias inconstâncias por não entender seus motivos.
Não me entendia constante também. Nada fazia muito sentido.
Agia, sentia, pensava, queria, tudo isso sem saber o por quê.
Agia sem saber o motivo de estar agindo, sentia sem saber o motivo de estar sentindo, pensava sem saber o motivo de estar pensando, queria sem saber o motivo de estar querendo. Com gerúndio mesmo, porque era exatamente assim.
Todos os conhecimentos que tinha sobre mim mesma eram primários e encaixá-los não era possível, faltava algo.
Por muito tempo eu me encontrei perdida em mim mesma. Era difícil, inclusive, resolver meus próprios problemas. Desesperador, mas eu simplesmente não sabia como fazê-lo.
E, depois de ficar a deriva em mim mesma, percebi que era hora de ancorar. Era hora de desbravar aquele mar gigante, aquele meu mar, e entendê-lo onda por onda.
Trabalho árduo, pesado, cansativo. Era preciso começar lá do fundo, antes mesmo das ondas se formarem. Era necessário saber cada detalhe de sua formação, para entender com clareza a sua quebra.
E, calmamente, me deixando guiar pela maré de mim mesma, hoje consigo me olhar sem me afogar em milhares de incertezas. Hoje meu mar e sua maré não me derrubam mais. Hoje consigo nadar em suas profundezas e ficar em pé, fincando meus pés em areia agora familiar.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Crescer implica seguir em frente. Implica melhorar. Implica se renovar. Implica aprender. Implica esquecer. Implica escolher prioridades. Implica escolher o que vai e o que fica.
Se acorrentar ao passado é ficar estagnado no tempo, é não conseguir crescer.
Deixar algumas coisas irem é a primeira regra quando se quer renovar a vida.
Tudo acontece exatamente quando tem que acontecer, mas, principalmente, tudo acaba exatamente quando tem que acabar - superstição, talvez, mas pensar dessa forma acalma a alma.
Por melhor que algo tenha sido, com a inconstância e transmutação da vida, certas coisas deixam de caber em suas necessidades, deixam de fazer sentido, deixam de fazer feliz.
E quando se percebe que alguma coisa não te altera, não te ensina, não te transborda mais, significa que ela não cabe mais ao momento e é preciso deixá-la ir.
Se vai voltar um dia? Nunca se sabe.
Se foi melhor ir? Com certeza.
Mas deixar ir não é tão simples assim. Deixar ir significa entender e ter consciência de que o que faz parte do passado não vai necessariamente se repetir da mesma forma para sempre. Deixar ir significa perceber que coisas melhores entrarão no seu caminho e que deve-se aproveitá-las.
Crescer, no fundo, é perder o medo. Perder o medo de perder as coisas, pois se ganham outras. Perder o medo de repetir os erros, pois se aprende. Perder o medo de se machucar novamente, pois as coisas podem sempre ser diferentes.
Perder o medo também é algo difícil. Perder o medo significa confiar, significa doar-se, significa fechar os olhos e se entregar. Perder o medo é levar consigo aquela certeza de que vão te segurar.
E a única forma de saber se tem alguém ali embaixo por você, é se jogando.
Se não houver, mais cicatrizes para a vida. Se houver, acredite: você vai se transbordar novamente.
E não há sentimento no mundo melhor do que não estar completo e sim transbordando.

sábado, 1 de junho de 2013


Um rasgo no peito, o brilho no olhar

Foram vários os versos, 
várias as flores

O cheiro do prazer, a beleza do toque
O olho no olho, a euforia da posse

Conhecer o amor e não podê-lo tocar
Já saber o sabor e não poder mastigar

Sair por aí procurando um bar
Uma mesa de canto e palavras no ar

Acordar em uma cama vazia

Reviver tudo o que já sentira

Tentar entender, tentar esquecer

Cuspir o sabor pra tentar reviver

E o relógio não anda mais
O coração não se sente capaz

Tudo o que foi feito, o amor já sentido
Desataram-se os nós, foi só tempo perdido.
não, não é fácil simplesmente escancarar o coração e deixar que outra pessoa lhe tome um pedaço, quando um outro pedaço antes tomado já foi jogado fora.
não é fácil acreditar em palavras jogadas ao ar, ou até mesmo no canto do ouvido, quando outras, passadas, já se mostraram inverdades.
não é fácil entregar o corpo e a alma, quando anteriormente eles já foram usados de brinquedo.
não é fácil se reencontrar, recomeçar, re-amar.
não é fácil confiar quando já foi apunhalado, não é fácil abrir portas quando já se viu destrancado, não é fácil jogar a chave quando já se foi arrombado.
não é fácil simplesmente amar.
porém, mais difícil ainda, é se deixar ser amado.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

eu mal chegava e ela arrancava minha camisa. dizia que formalidades eram pra quem ainda não se conhecia e que nos conhecíamos mais do que quaisquer outras pessoas.
de começo indagava esse conhecimento todo, até que ela sussurrava exatamente o que eu queria ouvir depois de um dia de trabalho, colocava a mão exatamente onde me dava arrepio, se movimentava exatamente no ritmo da minha música preferida.
e ela passava por mim como um tiro: me derrubava, deixando a gostosa sensação de dor.
dor pela saudade, pelos arranhões nas costas.
e conseguia me deixar encantado com um simples sorriso de bom dia.
é, acho que ela me conhecia mais do que eu mesmo, afinal, agora que não a tenho mais... quem sou?