sábado, 1 de junho de 2013

não, não é fácil simplesmente escancarar o coração e deixar que outra pessoa lhe tome um pedaço, quando um outro pedaço antes tomado já foi jogado fora.
não é fácil acreditar em palavras jogadas ao ar, ou até mesmo no canto do ouvido, quando outras, passadas, já se mostraram inverdades.
não é fácil entregar o corpo e a alma, quando anteriormente eles já foram usados de brinquedo.
não é fácil se reencontrar, recomeçar, re-amar.
não é fácil confiar quando já foi apunhalado, não é fácil abrir portas quando já se viu destrancado, não é fácil jogar a chave quando já se foi arrombado.
não é fácil simplesmente amar.
porém, mais difícil ainda, é se deixar ser amado.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

eu mal chegava e ela arrancava minha camisa. dizia que formalidades eram pra quem ainda não se conhecia e que nos conhecíamos mais do que quaisquer outras pessoas.
de começo indagava esse conhecimento todo, até que ela sussurrava exatamente o que eu queria ouvir depois de um dia de trabalho, colocava a mão exatamente onde me dava arrepio, se movimentava exatamente no ritmo da minha música preferida.
e ela passava por mim como um tiro: me derrubava, deixando a gostosa sensação de dor.
dor pela saudade, pelos arranhões nas costas.
e conseguia me deixar encantado com um simples sorriso de bom dia.
é, acho que ela me conhecia mais do que eu mesmo, afinal, agora que não a tenho mais... quem sou?

terça-feira, 6 de setembro de 2011

erguer a cabeça quando os olhos estão no coração partido; difícil.
e aí a gente torna mais fácil escrevendo canções, criando solos intermináveis e tristes de guitarra.
papéis e mais papéis amassados, noites mal-dormidas e olhos inchados. 
'uma hora passa, uma hora você supera', é o que todos dizem.
e você espera, espera pacientemente o 'tempo resolver tudo' e sua cabeça voltar pro lugar.
e de tanto gostar do outro e não ter nada em mãos, começa a gostar de si próprio, de se dar valor.
porque em todo grande erro, toda grande dor, sempre há uma lição... lição que talvez demore pra ser aprendida, mas que sempre existirá.
e é isso que enobrece o homem: a capacidade de dar a volta por cima e passar sutilmente por cima de tudo que um dia o fez cair; enobrece por deixá-lo forte, capaz de evoluir com cada cicatriz deixada no coração.
e aí a cabeça vai levantando aos poucos, o coração vai parando de doer e tudo vai ficando bem.
porque um erro só faz sentido quando é admitido.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

e eu que não sinto falta de pessoas ao meu redor, passei a sentir.
e eu que quase nunca falo 'eu te amo', passei a falar quase sempre.
e eu que nunca imaginei me apegar tão rápido, não vivo mais sem.
e é isso que acontece quando se conhece uma pessoa que te faz tão bem, que você esquece das coisas ruins quando está com ela.
e o abraço é o melhor e mais acolhedor do mundo, é como se os braços fossem uma barreira contra tudo o que faz mal, tudo o que me deixa pra baixo.
e é isso, é exatamente isso o que ela faz: faz bem.
um bem que poucas pessoas conseguem fazer, um bem que eu preciso pra conseguir sobreviver.
é uma pessoa que eu sei que vai estar sempre ali pra me ouvir chorar, me abraçar e ficar em silêncio, entendendo tudo o que eu penso, apenas estar ali.
e o quanto eu agradeço e tento retribuir não tá escrito, porque o amor e o carinho e a importância e a necessidade de ter por perto são maiores do que se imagina.
e eu agradeço muito, mesmo que seja pra mim, em silêncio, mas eu agradeço.
porque não é todo dia que se encontra uma pessoa que te faz uma pessoa melhor.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

e eu continuo sorrindo.
nunca vou parar de sorrir, apesar de todos os problemas, todas as cicatrizes que são deixadas em meu corpo dia após dia.
não vale a pena esquecer ou deixar passar as coisas boas, só pelo fato de já ter havido uma ruim.
se pensássemos e agíssemos desse jeito, nunca iríamos pra frente e nunca seríamos felizes.
a diferença é que, depois de muitas marcas, muitos problemas, sorrir dói.
a coisa mais bonita e sincera e gostosa, machuca para ser feita.
e machuca porque, depois de muito cair, muito chorar, muito sofrer, machuca alterar completamente seu estado de espírito que já está acostumado com a falta de movimentação dos lábios e a grande quantidade de gelo no coração.
só que, ao mesmo tempo que dói, conforta.
conforta perceber que você ainda é capaz de sorrir, e que, por uma fração de segundo, o gelo do seu coração derrete e você é capaz de movimentar os lábios, em um movimento sutil.
mas não se engane nunca: nem todo sorriso indica felicidade.
porque o gelo se derreter por um segundo, não significa que não voltará a tomar conta do peito.
mas, continuar sorrindo, mesmo com toda a dor do mundo, é sempre o melhor a se fazer.
quanto mais se sorri, mais vezes o gelo se derrete, mais vezes você se sente confortável, mais vezes você se sente aliviado.
e uma hora, depois de muito sorrir, você percebe que ficar triste não é uma boa sensação, e começa a prestar atenção nos pequenos detalhes que te fazem feliz, para sorrir sempre que possível.
e o clichê vira verdade: um dia sem sorrisos, é um dia perdido.
porque até o sorriso mais dolorido de todos, indica que no meio de tanta coisa ruim, ainda há alguma pequena grande coisa boa.