sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

rimas me prendem tanto...
gosto de escrever, escrever sem me preocupar com melodia ou com o que combina com o que.
gosto de escrever palavras sem sentido, assuntos misturados, mas sempre sinceros.
não gosto de janelas, paredes, portas, elas me prendem; gosto de tudo que é ao ar livre.
gosto de correr, caminhar, abrir os braços, olhar o infinito.
não gosto de piscinas, elas me prendem.
gosto da imensidão inacabável do mar, de poder nadar até meus braços não terem mais força, gosto da sensação de não conseguir alcançar os pés no chão e mesmo assim estar de pé; exatamente como quando eu sonho.
gosto da liberdade, não adianta.
não gosto de regras, de horários, de rotina.
não gosto de dormir de noite, e sim de dia.
gosto do diferente, não gosto de lugares com pessoas iguais.
o incerto me atrai, a sensação de não saber exatamente o que estou fazendo, mas simplesmente fazer e chegar a algum resultado qualquer é inigualável.
apesar disso, gosto de fazer planos; mas sempre planos que me levem pra longe, que me tragam novas experiências.
gosto do perigoso, do escondido, do proibido... é clichê, mas é gostoso.
gosto de descobrir, sabe? de pegar pistas, juntá-las e ir encaixando-as, como que em um quebra-cabeça.
gosto de observar detalhes e gestos.
gosto de viver assim, inconstante...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

é sobre...

É sobre querer estar perto.
Sobre querer contar como foi seu dia no final do dia, mas, principalmente, sobre querer saber cada mínimo detalhe do dia alheio.
Sobre gostar do toque, do cheiro, da voz.
Sobre sentir falta do olhar, sentir falta do fato de saber que ele está lá.
É sobre ser capaz de passar a vida inteira só com ele, por ele ter tudo o que você precisa.
É sobre ele te dar carinho na medida certa, sobre ele saber o que você quer com um olhar, é sobre ele te descobrir sem você precisar dar nenhuma dica.
É sobre você conseguir passar horas falando com ele, e o assunto nunca se esgotar.
É sobre você não saber o que sente, mas saber que sente e querer sentir sem medo.
É sobre saber que dessa vez vai dar certo.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

eu não ia, ele também não.
eu consegui ir, ele decidiu ir.
eu não o conhecia, ele não me conhecia.
eu o puxei, ele me beijou.
eu moro aqui, ele mora a dez minutos de mim.
ele me chama pra ir embora, eu aceito.
ele sorri, eu quase pulo de felicidade.
ele senta, eu o deito.
ele quer, eu quero.
ele morde, eu arranho.
ele me leva embora, eu ficaria mais.
ele não deve se lembrar de mim, eu não o esqueço.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pedem que eu não me apresse, que eu mantenha a calma e coloque os pés no chão.
Dizem que estou à frente do meu tempo, que fiz muita coisa que não deveria ter feito, que poderia ter esperado mais pra ter feito.
Mas me diz que graça tem uma vida, onde seus atos tem hora marcada, onde você tem que seguir um molde para viver e se sair dele tem chances de dar tudo errado?
As pessoas falam como se só pudesse dar errado da forma que eu faço, mas eu bato o pé e digo que estão errados.
Quantas vezes não vemos pessoas que fazem tudo certo, seguem religiosamente malditos calendários mentais, que não se arriscam, terem uma vida medíocre completamente errada?
E dar errado não é apenas cair e se ferir, dar errado é não sorrir ao fim do dia, pensando em como foi bom sair da rotina; é nunca levantar de ressaca querendo bis; é nunca acordar na casa de um desconhecido com milhares de pessoas dormindo pelo chão.
Dar errado é não viver de aventuras, é não sair do óbvio, é ser previsível.
Ser previsível é uma merda.
É uma merda tu contar uma novidade sobre si mesmo e ser o último a saber dela.
É bom ver todos assustados, desacreditando que tu entrou numa briga e venceu.
Nas vidas mais monótonas, estão escondidos os desejos mais loucos.
Ou tu acha mesmo que aquele empresário todo engravatado nunca quis ver sua mulher com um chicote na mão? Ou nunca teve o simples desejo de pular de pára-quedas e se libertar daquela empresa chata que só dá mais regras e prazos pra sua vida?
Cara, o mundo é tão grande, são tantas coisas a se fazer. Se eu fosse esperar mais do que já esperei pra fazer tudo o que eu quero, eu morreria sem fazer a metade.
Eu quero ter tempo pra realizar meus sonhos, que se dividem entre vários países, épocas do ano, casas e bocas.
Quero sair desse mundo tendo aproveitado ao máximo tudo o que eu puder aproveitar.
Quero poder contar pra todo mundo tudo o que já fiz, quero provar de tudo um pouco, até me estabilizar em algo que eu realmente goste.
Não sou apressada, não tenho meus pés fora do chão; só tenho vontade de viver, viver tudo o que inventaram e o que vão inventar.
Viver tudo o que eu tenho direito, sem me prender à nada.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um copo de vinho e um maço de cigarros.
A bebida tem a cor das minhas unhas e a brasa queima como minha garganta.
A cabeça, ao mesmo tempo que está longe, está perto; perto de você, assim como o coração.
Tango como trilha sonora.
E as lágrimas se misturam ao vinho. Poderia ser assim com nossos corpos; nossas vidas.
Eu seria o vinho: vermelho, intenso, que desce leve, mas deixa alegre sem ao menos perceber.
Você seria as lágrimas: feitas de água, que é o que eu preciso para sobreviver.
Balanço a taça, os movimentos são leves como os de nossos corpos virando de um lado pro outro da cama.
Viramos um só agora, é impossível distinguir quem sou eu e quem é você.
Mas ainda temos o mesmo gosto: juntos temos gosto de vinho, mas, separados, eu ainda sou doce e melancólica e tu ainda é amargo.
E o tango embala cada gole, cada tragada e cada lágrima, que representa um pouco de você saindo de mim.