sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um copo de vinho e um maço de cigarros.
A bebida tem a cor das minhas unhas e a brasa queima como minha garganta.
A cabeça, ao mesmo tempo que está longe, está perto; perto de você, assim como o coração.
Tango como trilha sonora.
E as lágrimas se misturam ao vinho. Poderia ser assim com nossos corpos; nossas vidas.
Eu seria o vinho: vermelho, intenso, que desce leve, mas deixa alegre sem ao menos perceber.
Você seria as lágrimas: feitas de água, que é o que eu preciso para sobreviver.
Balanço a taça, os movimentos são leves como os de nossos corpos virando de um lado pro outro da cama.
Viramos um só agora, é impossível distinguir quem sou eu e quem é você.
Mas ainda temos o mesmo gosto: juntos temos gosto de vinho, mas, separados, eu ainda sou doce e melancólica e tu ainda é amargo.
E o tango embala cada gole, cada tragada e cada lágrima, que representa um pouco de você saindo de mim.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

procuro uma rota de fuga, um lugar em que eu consiga esquecer todos os meus problemas, meus conflitos pessoais e impessoais.
acendo um cigarro, são quase 2 da manhã e o sono desapareceu do meu dicionário.
estou inquieta, balanço as pernas e mordo a boca.
tento achar algo pra ver na TV, mas sabe comé, né? nada interessante.
venho pro computador, vejo alguns vídeos, algumas fotos, leio alguns textos.
tento achar o sono, mas ele simplesmente foje de mim.
meu celular toca: a voz do outro lado me acalma e minhas pernas se estabilizam.
A- "Eu sei que já é tarde para te ligar, mas sabia que tu estava acordada, provavelmente procurando algo pra fazer."
B- "As vezes esqueço que tu tem meu manual... aconteceu algo?"
A- "Sim... bateu saudade."
B- "Mas nos vimos há algumas horas; não que seja ruim tu sentir saudades."
A- "Bom saber, afinal sinto saudades do momento em que tu desce do carro até depois de alguns minutos que nos reencontramos."
B- "As vezes esqueço que no meu manual tem um capítulo de 'Como fazê-la se derreter'."
A- "Em 15 minutos passo aí, se importa de irmos só tomar um café? Eu realmente preciso ser o primeiro a te abraçar hoje, espero que não seja tarde demais."
B- "Nunca é tarde demais, vou colocar uma blusa e te espero lá embaixo."
A- "Você é demais."
B- "Beijos."
E isso era tudo o que eu precisava escutar. Agora desapareceram do meu dicionário as palavras TV, computador, tédio, insônia, problemas e insegurança.
Vou colocar uma blusa e descer.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

foi tudo exatamente como eu planejei... tapas, cuspe, unhas, dentes.
tudo isso ao som de um belo e agressivo tango.
em um apartamento apertado, que nos deixava mais próximos um do outro.
numa cama grande, onde sobrou espaço, pois ele me pressionou contra seu corpo a todo momento.
acertamos os movimentos, como se tivéssemos ensaiado durante horas; durou horas, mas foi tudo na hora.
quase soltamos faíscas, de tão intensa nossa ligação.
tivemos sorte da vizinha do lado ser quase surda.
e para completar, no final, conversamos sobre música com cigarros e cervejas.
e sangue espalhado.
a cada segundo de silêncio, um beijo e uma mordida.
muitas risadas ao som de beatles.
horas e horas trocando discos, debatendo sobre cada faixa de cada disco e inventando histórias para cada letra.
o tempo passou e nós não notamos; até que o sol começou a nascer e fomos pra varanda contemplar tudo aquilo.
estava frio; mas sua presença e seu abraço me fizeram a pessoa mais quente e feliz em todo o mundo.

sábado, 25 de setembro de 2010

as vezes eu queria ter o poder de mover montanhas, mandar em corações alheios e de conseguir agarrar todas as oportunidades boas que me aparecem.
mas, pensando por outro lado, se tudo o que eu quero desse certo em um piscar de olhos, minha vida não teria graça.
eu não teria sonhos, força de vontade, erros que me servem de aprendizado.
não precisaria me esforçar para nada e acabaria enjoando fácil das coisas.
tudo o que vem fácil perde o brilho mais facilmente ainda.
o gosto do inalcançável, por mais amargo e inquietante que seja, é bom de ser sentido as vezes.
nos faz acordar e sair da comodidade.
nos dá vontade para alcançar, nos faz ter motivos para crescer até conseguir ser uma pessoa boa o suficiente para ter a tal coisa.
cada um merece o que tem e, principalmente, o que não tem.
se tu não faz por merecer, as coisas ficam mais difíceis.
o ser humano só evolui seu caráter, quando passa a correr atrás de algo que precise de mais caráter para ser conquistado.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

em meio à garrafas de vodka barata pela metade, maços de malboro vermelho vazios, sedas espalhadas pelo quarto, camisetas e camisinhas sujas, há amor... muito amor.
amor físico, amor sentimento. Amor sincero.
olhares vermelhos e pequenos se cruzam, se desejam.
mãos trêmulas se abraçam, se aquecem, fazem carinho umas nas outras, dando a sensação de segurança.
as pernas estão entrelaçadas, como se duas pessoas fossem apenas uma naquele momento.
sinto o cheiro do amor, tenho certeza que há amor naquilo tudo.
em cada peça de roupa tirada, cada beijo, cada mordida, cada arranhão.
cada tapa aumenta minha vontade de nunca sair dali, de parar o tempo.
é um amor diferente, um amor que não se fala, que é expresso por atos, por movimentos.
movimentos sincronizados, quase ensaiados...
e a noite se reveza entre tragos e beijos.
eu poderia ficar ali para sempre, eu estaria completa.